III COLOQUIO INTERNACIONAL DE ARTE MEGALÍTICO
RESUMEN DE LAS PONENCIAS
IDEOLOGÍA
DEL ARTE MEGALÍTICO
DE LA PENÍNSULA IBÉRICA
José Manuel Vázquez Varela
Departamento
de Historia I
Universidade de Santiago de Compostela
A
partir del análisis iconográfico
de los motivos de referente conocido en el arte
megalítico se presenta una lectura de diversas
ideas, creencias y valores que en él se
reflejan.
Para
lograr este objetivo se estudian las relaciones
de los temas entre sí y con el contexto
arqueológico. De todo ello se obtienen
una serie de datos que apoyan la idea de que el
arte megalítico expresa una nueva visión
de lo humano, un tipo de humanismo?, una serie
de valores relacionados con la jerarquización
social y el mundo del varón entre otros.
En este sentido en el megalitismo aparecen una
serie de ideas novedosas con relación al
mundo anterior, parte de las cuales tendrán
continuidad en los momentos siguientes a su fin.
Los
nuevos descubrimientos de pintura y grabado megalíticos
así como una relectura técnica e
iconográfica de los ya conocidos permitirá
contrastar las teorías aquí desarrolladas.
ON
THE MEANING OF MEGALITHIC ART
Muiris
O'Sullivan
Department
of Archaeology
University College Dublin
The
intrinsic dynamics of meaning are seldom invoked
in discussions about the symbolism of megalithic
art. Yet an exploration of these dynamics can
offer a more realistic appreciation of the goals
towards which we might strive in examining the
prehistoric message. Beginning with a brief examination
of the processes whereby meaning is produced and
communicated, this paper sets out to open up the
issue of symbolism in megalithic art. Although
presented from an insular perspective it seeks
dialogue with all those who are interested in
exploring the meaning of the art.
Megalithic
art did not emerge in a vacuum but rather in the
maelstrom of human life in western Europe and
in the wider context of a consolidating Neolithic
throughout the continent. Above all it found expression
within the tradition of megalith building.
Each
region of western Europe has its own particular
artistic personality but the overall megalithic
tradition incorporates a number of common symbolic
themes some of which recur elsewhere in early
Europe. The cupmark, which is probably the most
omnipresent "motif" in the megalithic
tradition, belongs to a wider environment represented
also in Rock Art. The geometric component has
been convincingly related to entoptic experiences
and this link has opened up a vast new area of
meaning in megalithic art. The anthropomorphic
component, which can be recognised even in Ireland,
is expressed not just in the applied art but also
in the choice of stones to be used in particular
contexts. This in turn reminds us of the wealth
of imagery stored in the architecture and ritual
of the structures themselves.
The
meaning of megalithic art is subtle and multi-dimensional.
It is a complex world which is amenable to insights
from various perspectives but is intractable to
efforts at simple translation. It is to be hoped
that the momentum generated by these gatherings
will lift the exploration of meaning out of its
regional compartments, where work must obviously
continue anyway, and into a pan-European approach
where overall strands of meaning are recognised
and shared.
DÉDOUBLEMENT DES MOTIFS ÉLÉMENTAIRES
DANS
L'ART DES TOMBES À COULOIR EN ARMORIQUE;
SYMÉTRIE OU CONCEPT SYMBOLIQUE?
Jean
L'Helgouac'h
Laboratoire
de Préhistoire Armoricaine
Université de Nantes
Au
Néolithique final, la dualité des
représentations de divinités féminines
est bien connue dans les allées couvertes
armoricaines (Prajou-Menhir, Tressé) et
parisiennes où il s'agit très probablements
du mythe de la double personnalité féminine.
Dans
les tombes á couloir, plus anciennes, certains
symboles sont dédoublés selon des
schémas qui se répètent;
il ne s'agit donc pas d'exceptions ni de hasards
ni de fantaisies, mais d'une volonté très
claire. Quatre symboles peuvent être dédoublés:
*les
crosses avec plusieurs exemples comme le menhir
de Kermarquer,
*les haches, soit simples (Gavrinis), soit emmanchées
(Mané Kerioned),
*les bovidés (stèles Gavrinis-Les
Marchands),
*les divinités (Gavrinis)
Gavrinis
offre sans doute le plus d'exemples de ces dédoublements
et il est important d'y rechercher les relations
entre les symboles dédoublés et
d'autres symboles majeurs. La répétition
d'associations est soulignée.
On
est partagé entre la reconnaissance d'une
volonté de symétrie (souci esthétique
de l'éxecutant) et celle d'une expression
symbolique déterminée , les deux
motivations pouvant d'ailleurs se rejoindre dans
quelques cas précis, dont celui de la stèle
de la Table des Marchands. En définitive,
il apparaît que tous les symboles sont liés,
de près ou de loin, à des stèles
représentant les puissances spirituelles;
leur dédoublement, qui ne revêt pas
toujours un caractère d'organisation très
stricte, tend à accentuer les pouvoirs
de la divinité, à moins qu'il ne
révèles déjà sa double
personnalité.
QUESTÕES
DE INTERPRETAÇÃO DA ARTE MEGALÍTICA
Vítor
Oliveira Jorge
Faculdade
de Letras
Universidade do Porto
Tem
sentido falar de uma arte megalítica? Esta
a primeira questão que importa colocar.
Se aceitássemos que sim, e se quiséssemos
entender numa acepção ampla, teríamos
de incluir: a arquitectura dos próprios
monumentos e da nova paisagem que configuram;
a arte parietal, das gravuras e pinturas dos sepulcros;
a arte dos menires e dos monumentos que deles
se compõem; a arte "móvel",
que vai das placas de xisto gravadas aos mais
variados tipos de "ídolos" e
de "estelas", etc. E ainda teríamos
de perguntar: existe arte de "estilo"
ou "temática" megalítica
noutros ambientes e suportes (gravuras ao ar livre,
pinturas em abrigos, etc.?). Talvez que a primeira
constatação seja a de que o megalitismo
como fenómeno e a sua "arte"
são conceitos não só vagos,
mas tão obviamente arbitrários que
nos podem induzir em erro se os virmos como um
"universo" autónomo. Ou seja:
a própria incidência do raciocínio
sobre a dita "arte megalítica"
pode, eventualmente, conduzir à incapacidade
de abrir hipóteses interpretativas mais
arrojadas, mais inovadoras, mais interessantes.
Constatamos
hoje o que até aqui incluíamos neste
universo da "arte megalítica"
é apenas uma pequeníssima parte
do que deve ter existido: as descobertas sucedem-se
à medida que a atenção incide
mais cuidadosamente tanto sobre monumentos já
conhecidos, como sobre monumentos agora escavados;
a erosão deve ter em muitas regiões
destruído as gravuras ou pinturas de esteios,
truncando enormemente a amostragem. Há,
tal como acontece na arte paleolítica,
toda uma faceta quase "invisível"
da gravura megalítica, tão fina
que só se pode ver em condições
especiais de luz, e tão ténue que
a erosão a pode ter eliminado rapidamente
em muitos monumentos expostos. Estamos pois num
momento de ampliação de conhecimentos
empíricos, e de plena consciência
do carácter seleccionado dos nossos dados,
que quase faz suspender qualquer tentativa interpretativa,
mesmo que modestamente dirigida apenas a uma parte
deste "universo". Mas há que
resistir à ideia de que só se pode
começar a interpretar quando vierem a lume
todos os dados já detectados, porque esse
momento, por definição, nunca chegará.
Por outro lado, a "arte megalítica"
está tão espalhada por tantas facetas
do megalitismo, que é impossível,
mesmo redutor, tentar interpretar arquitecturas
sem considerar, também, todos os restantes
aspectos "artísticos".
Mais
curto ou mais longo em termos diacrónicos
conforme as regiões da Europa, sabemos
hoje que o chamado "megalitismo" é
um processo, que teve alterações
ao longo do tempo; os monumentos foram alvo de
transformações, de reutilizações,
que não tinham obviamente um carácter
puramente funcional, mas correspondían
a diferentes intenções simbólicas.
A arte megalítica não pode evidentemente
ser compreendida fora desse processo, mais para
tal é preciso multiplicar as escavações
rigorosas, sobretudo de necrópoles ou conjuntos
geograficamente definidos, articulando em cada
caso os "monumentos" -simplesmente a
ponta de um icebergue, arqueologicamente mais
visível- com tudo o que não é
monumental: possíveis povoados, outras
formas de enterramento, "arte" praticada
noutros contextos, etc. A compreensão da
arte megalítica não irá muito
longe se se apoiar em casos isolados, mesmo que
espectaculares. Este é aliás um
problema geral de toda a arqueologia: começa
por se ver apenas o que se vê melhor, e
só mais tarde se percebe que é a
estrutura subjacente, o que não se vê
logo, que mais questões interessantes levanta,
que permite perspectivas mais estruturais, isto
é, explicações desligadas
das nossas evidências empíricas,
do nosso senso comum contemporâneo.
Nesta
comunicação, sem pretendermos trazer
elementos novos, queremos insistir sobre a possibilidade
(não obstante tudo o que se disse acima)
de se ver sempre de uma forma nova os elementos
velhos: isso significa avançar hipóteses
interpretativas e sugestões metodológicas,
confiante em que a imaginação criativa
é, em arqueologia como em qualquer outro
domínio, o motor que faz progredir o saber.
Progredir, aqui, não quer dizer acrescentar
novos pequenos saberes ao já sabido; nem,
por um exercício de prestidigitação,
basear novas teorias em dados inéditos
-esses são dois hábitos correntes
das nossas reuniões científicas.
Progredir, aqui, significará ousar mudar
de lugar de observação, procurando
abrir novas paisagens problemáticas. A
única certeza é a de que megalitismo,
arte megalítica, significado e interpretação
da arte megalítica, são mais construções
herdadas, caminhos percorridos, e eventuais becos
sem saída, do que apostas bem dirigidas
para alvos que importa visibilizar.
EL
ARTE MEGALÍTICO EN EL TERRITORIO CANTÁBRICO:
UN FENÓMENO ENTRE LA NITIDEZ Y LA AMBIGÜEDAD
Miguel
Angel de Blas Cortina
Departamento
de Historia
Universidad de Oviedo
Las
manifestaciones artísticas tienen una presencia
muy desigual en el cantábrico. La cuenca
del Sella en Asturias es aun el límite
de los megalitos grabados y pintados. Esa frontera
es más cultural que climática: el
arte parietal es propio de los grandes sepulcros,
cuando en Cantabria, Vizcaya y Guipúzcoa
los megalitos ofrecen pequeñas cámaras.
En
tal ambiente la plástica megalítica
es ambigua: cazoletas, algún vago grabado
en ortostatos, o estelas antropomórficas
componen un repertorio escueto enriquecido, en
Asturias, por guijarros decorados que sintonizan
con los ídolos bien conocidos en Galicia
y N. De Portugal desde el IV milenio BC.
La
nitidez reside en los grabados de la Tumba del
Castellín, de sintaxis atlántica,
en los de Abamia y en el excepcional dolmen de
Santa Cruz. La soledad de Santa Cruz, su arquitectura,
decoración pintada y grabada, ajuar y posición
estratégica en el paisaje, hablan de un
importante centro social, ritual, testimonio del
afianzamiento de la vida neolítica en la
región. El prestigio del lugar megalítico
perduraba en el año 737 d.C. cuando Favila
(princeps) erige sobre el túmulo un templo
cristiano. Tal coincidencia responde a la búsqueda
de la legitimidad del poder territorial, político
y espiritual por el naciente Reino de Asturias,
en los inicios de la Reconquista.
ARTE
MEGALÍTICO EN SEPULCROS DE FALSA CÚPULA.
A PROPÓSITO DEL MONUMENTO DE GRANJA DE
TONIÑUELO (BADAJOZ)
Rodrigo
de Balbín Behrmann
Primitiva Bueno Ramírez
Área
de Prehistoria
Universidad de Alcalá de Henares
Nuestros
trabajos sobre Arte Megalítico, han dado
cuerpo en los últimos años a una
hipótesis según la cual, existen
grabados y pinturas en toda la Península
sobre arquitecturas de carácter diverso
-no necesaria y exclusivamente cámaras
con corredor- y con fechas tan antiguas como las
que dimos al megalitismo ibérico. La decoración
constituye un diseño global junto con la
arquitectura de la sepultura y ambos elementos
se utilizan para delimitar y señalar el
valor simbólico de los espacios en el monumento.
Aquí
presentamos argumentos arqueológicos que
demuestran que si bien el Arte Megalítico
posee un origen antiguo, es cierto que continúa
realizándose en monumentos más recientes
como demuestra su documentación en sepulcros
de falsa cúpula y en otro tipo de arquitecturas
que tenemos en general bien datadas a partir del
III milenio a.C.
La
reconstrucción de los datos publicados
sobre Los Millares, permite afirmar que su necrópolis
debió ser uno de los mayores conjuntos
sepulcrales decorados de la Península.
El estado en que se encuentra en la actualidad
nos impide realizar un estudio con los medios
actuales, pero esto sí es posible en otros
sepulcros. Este es el caso de la sepultura de
falsa cúpula de Granja de Toniñuelo,
en Badajoz.
Se
conocía desde los trabajos de Mélida
en los años 20 y ya entonces se recogió
la presencia de grabados en dos de sus ortostatos.
En nuestro trabajo de 1992 hacíamos mención
a la existencia de pintura, pero la consolidación
y restauración el monumento nos impedía
un análisis exhaustivo de cada uno de los
ortostatos. Durante 1996 hemos podido realizarlo,
comprobando que todos los ortostatos de la cámara
están decorados: grabados y pintados. Es
decir, constatamos una decoración global
del monumento al igual que en sepulturas más
antiguas con una grafía comparable a la
que nosotros mismos hemos establecido como un
"código", con imágenes
humanas situadas en el frontal de la cámara.
O
MEGALITISMO NA BEIRA ALTA
Domingos
J. Cruz
Instituto
de Arqueologia
Faculdade de Letras
Universidade de Coimbra
Nesta
comunicação far-se-á avaliação
do estado actual dos conhecimentos sobre a emergência
do megalitismo na região da Beira Alta,
interligada com outras áreas da Península
Ibérica. Centrar-se-á, sobretudo,
em aspectos que têm a haver com a cronologia
do megalitismo regional, complexidade estrutural
e funcional das construções "clássicas"
mais tardias -neste contexto se integrando a arte
megalítica, também bem representada
na Beira Alta-, e consequentes modelos sócio-económicos.
Embora com informação menos segura,
traçar-se-á ainda o quadro regional
das construções sepulcrais dos III
e II milénios a.C.
1.
Na Beira Alta, tal como no Noroeste Peninsular
e, certamente, outras áreas da Península
Ibérica, admitimos a existência de
um processo de complexificação crescente
das construções funerárias
-dólmens- visíbel na volumetria
dos tumuli, dimensão dos espaços
sepulcrais propriamente ditos, percepção
exterior do edifício, emergência
de novas estruturas -"atrio", "corredor
intratumular"-, etc. A este nível,
regista-se, de facto, uma certa "distância"
entre os designados "dólmens simples"
(câmaras poligonais, fechadas ou abertas)
e os "dólmens complexos" (câmaras
com corredor, de diferentes dimensões,
"vestíbulo", etc.), evidenciando,
ambos, alguma diversidade.
Um
conjunto de cerca de 50 datações
radiocarbónicas, a maior parte das quais
obtidas em trabalhos recentes, realizadas sobre
amostras recolhidas em monumentos de grandes e
médias dimensões, com estruturas
complexas na área de acceso, permitem definir
que estes últimos terão sido construídos
em período curto, situável entre
4000 e 3700 a.C. (anos reais), eventualmente prolongando-se
até 3600 a.C.
Este
momento terá sido precedido por outro (ainda
que a informação disponível
seja reduzida, por falta de escavações),
no qual se integrarão os tumuli mais pequenos,
com câmaras, fechadas ou abertas, e espaços
úteis também mais reduzidos, tal
como, aliás, se assinala no Norte de Portugal
e na Galiza.
Esta
evolução estrutural das construções
não é independente de rituais mais
elaborados e, certamente, comunidades demograficamente
mais amplas e maior grau de complexidade social.
2.
A situação não é muito
diferente do que se regista em outras áreas
peninsulares, nomeadamente no Noroeste: os pequenos
dólmens, construídos no último
quartel do V milénio a.C. e primeiras centúrias
do IV milénio a.C., precederão os
dólmens de maiores dimensões, cuja
construção terá ocorrido,
sobretudo, na passagem do 1 para o 2 quartel deste
milénio (3800-3600 a.C.).
Na
Beira Alta, por outro lado, os dados actuais parecem
mostrar uma relativa precedência do momento
de emergência dos grandes monumentos relativamente
às regiões mais setentrionais, situação
eventualmente relacionável com um movimento
de expansão naquele sentido.
3.
O grande número de monumentos construídos
nos finais do V milénio a.C. e inícios
do milénio seguinte, ao invés da
sua distribuição temporal ao longo
de um ou dois milénios, deve ser encarado
como um episódio de curta duração,
correspondendo a um movimento importante, certamente
de expansão demográfica, que se
regista nos finais do Neolítico.
O
período de funcionamento primário
destes tumuli é também reduzido.
De facto, as datações radiocarbónicas
disponíveis mostram que o encerramento
destes sepulcros se fez não muitos anos
despois do da sua construção, ou
seja, em termos de cronologia radiocarbónica,
os momentos de construção, utilização
e encerramento das construções são
indistinguíveis.
O
grande número de monumentos eregidos em
período de tempo curto apontará,
cremos, para a existência de numerosas pequenas
comunidades, algo dispersas, cada uma com o seu
próprio sepulcro, servindo, talvez, durante
2 ou 3 gerações.
4.
A arte megalítica, tal como noutras regiões,
é sobretudo uma manifestação
que ocorre nos monumentos de grandes dimensões,
integrando-se no movimento crescente de complexidade
das estruturas construtivas e rituais mais elaborados.
É mais um elemento do edifício que
é sepulcro, mas sobretudo, centro ceremonial.
Trata-se de representações não
observáveis do exterior, patentes em ambiente
pouco iluminado, de acesso restrito, contrapondo-se
à iconografia exterior. É uma arte
dos mortos e dos deuses, de simbolismo hermético,
passível de "interpretação"
por iniciados.
5.
A espectaculosidade de que o cerimonial se reveste
nestas construções é visível
nas dimensões, passagens que conduzem ao
centro sepulcral, fachada exterior, utilização
do fogo, no próprio acto de encerrar definitivamente
o sepulcro.
De
facto, encerrar com definitividade o edifício
sepulcral é tão importante como
construílo. Constituirá um último
acto cerimonial, de um conjunto vasto de rituais.
Só assim se compreende que os espaços
de acceso ao dólmen, como na Orca do "Picoto
do Vasco" (Vila Nova de Paiva, Viseu), tenham
sido colmatados com algumas toneladas de pedra,
criteriosamente disposta, seguida da regularização
da superfície exterior do tumulus, prestando-lhe
forma de calote esférica. Os acessos originais
não são agora observáveis,
impedindo-se, por este forma, a entrada de intrusos.
6.
Os últimos monumentos deste tipo terão
sido construídos em 3700/3600 a.C. Decorre
um longo período em que se reutilizam alguns
destes antigos sepulcros (trata-se, verdadeiramente,
de violações de espaços que
foram encerrados pelas populações
originais ad aeternum), se constroem outros, de
características diversas, ainda mal conhecidos,
eventualmente, também, a utilização
de espaços naturais para fins funerários.
De
facto, será só em meados do III
milénio a.C. que teremos notícia
da construção mais sistemática
de novos tumuli, de pequenas e médias dimensões,
com espaços sepulcrais também reduzidos,
de carácter individualizante (no sentido
de utilização restrita mais restrita).
São as pequenas câmaras funerárias,
de planta rectangular e sub-rectangular, envolvidas
por tumuli em terra, ou construídos apenas
em pedra -"cairns"-, datáveis
do Calcolítico Final e inícios da
Idade do Bronze, também bem representados
na Beira Alta, cuja construção se
manterá, com variações, ao
longo de grande parte da Idade do Bronze.
Trata-se
já de um "outro" megalitismo
que, cremos, tem pouco a haver com os dólmens
iniciais e as sociedades que os eregiram, ainda
que os espaços geográficos sejam,
muitas vezes, os mesmos.
A
ARTE MEGALÍTICA DA BACIA DO MÉDIO
E BAIXO VOUGA
Fernando
A. Pereira da Silva
Faculdade
de Letras
Universidade Católica Portuguesa
Embora
localizada numa região charneira entre
a Beira Alta e o Norte de Portugal, a Arte Megalítica
da Bacia do Médio e Baixo Vouga, é
ainda hoje muito pouco conhecida. Identificada
desde os anos vinte, pelos trabalhos pioneiros
de Amorim Girão, a tais referências
viriam juntar-se outras, aportadas pelos trabalhos
de campo levados a cabo principalmente por Albuquerque
e Castro, Veiga Ferreira e Abel Viana.
Pode
pois dizer-se e com alguma razão, que foram
aqueles autores quem primeiro estabeleceu o quadro
da Arte Megalítica para a Bacia do Médio
e Baixo Vouga, a par dos trabalhos pioneiros de
Leite de Vasconcelos, para a Beira Alta em sentido
restrito, e mais tarde os de José Coelho
e Vera Leisner.
Tais
autores tiveram assim o mérito, entre outros,
de dar a conhecer à comunidade científica,
a existência de monumentos con gravuras
e ou pinturas, que hoje são indiscutíveis
pontos de referência para quem quer que
se dedique ao estudo da Arte Megalítica,
estando tais descobertas na base da bipolarização
de facto, em que passou a ser organizada a arte
megalítica peninsular: o "Grupo de
Viseu", por um lado e o grupo das "sepulturas
de corredor a norte do Douro" (Twohig 198).
Ora,
este era o panorama que no seu conjunto se iria
manter sem grandes alterações, até
aos anos oitenta, altura em que se assiste a um
aumento do interesse pelo estudo da problemática
colocada pelo Megalitismo, devido à acção
de novos investigadores apostados nessa via, o
que irá produzir alterações
significativas nos anos subsequentes, com o alargamento
do número dos monumentos identificados
como possuindo gravuras e ou pinturas no seus
esteios.
Este
movimento estendeu-se a todos os sectores peninsulares,
com particular incidência ao Norte de Portugal
e à Galiza.
Na
Bacia do Médio e Baixo Vouga, este fenómeno
de crescimento, reflectir-se-ia também,
embora fosse ligeiramente mais tardio, mas com
não menores resultados.
Assim,
de um modo geral, o panorama anterior, alterar-se-ia
substancialmente, não fazendo já
qualquer sentido continuar a manter a divisão
bipolar para a Arte Megalítica, que marcou
o início dos anos oitenta, perante os novos
dados aportados pela investigação
-veja-se a este propósito os casos notáveis
a Norte do Douro e na Galiza onde, a par dos monumentos
conhecidos se vêm juntar outros inéditos,
alargando o leque da documentação
iconográfica conhecida até então-.
Na
Bacia do Médio e Baixo Vouga, assiste-se
também, a par de um incremento na investigação,
a alterações significativas, quer
quanto aos motivos e a sua organização,
aos suportes em que os motivos foram gravados
e ou pintados, quer ainda quanto à tipologia
arquitectónica das sepulturas. De tal maneira
que, a visão estereotipada de uma Arte
Megalítica enquadrável em grupos,
locais e ou regionais, não tem mais razão
de ser.
Hoje
possui-se uma visão de conjunto mais alargada,
que já não se rentringe apenas aos
monumentos de Antelas e ou de Chão Redondo
-citados apenas a título de exemplo- mais
que compreende novos e diversos tipos arquitectónicos
de monumentos, com temáticas próprias,
enriquecendo-se deste modo o panorama da Arte
Megalítica do extremo peninsular.
É
partindo pois da análise sumária
dos dados pioneiros conhecidos, enriquecidos com
novos dados aportados pelo Autor, que se pretende
com este "paper" re-equacionar as questões
em torno do Megalitismo e da Arte Megalítica
nas bacias do Médio e Baixo Vouga, no contexto
da arte megalítica peninsular.
Palavras-chave:
Centro-Norte Litoral / Médio e Baixo Vouga
/ Megalitismo / Arte megalítica
FIGURATIONS
DANS LES SÉPULTURES COLLECTIVES DE
LA MARNE (51) FRANCE
Alain
Villes
Service
Régional de l'Archéologie. Chalons-en-Champagne
Direction Regionale des Affaires Culturelles
Ministère Culture. France
Elles
ont été considerées d'emblée
comme typiques de la SOM. Aujourd'hui, force est
de convenir que la question est plus complexe.
Elles ne figurent que les hypogées, et
sous trois formes: "signes" réalisés
au charbon (Villevenard), haches (et autres outils):
Colzard, Courjeonnet, Chouilly et "idoles"
(Colzard, Courjeonnet).
1.
Les "pictogrammes"
Rencontrés
surtout dans la nécropole de Villevenard,
"Le Bas des Vignes", il s'agit de signes
tracés au charbon, et affectant la forme
de "pelle" et de "grille".
Leur position, d'un côté de l'entrée
de l'antégrotte, tournés vers l'exterieur,
est similaire à celle de la majorité
des autres figurations, ce qui donne à
penser que leur fonction ou leur signification
est èquivalente. On ne peut pour autant
leur assigner une position chronologique par rapport
à ces dernières, d'autant que l'evolution
des contenus des hypogées est très
difficile à cerner. Les "signes"
de Villevenard sont à rapprocher surtout
des bâtonnets tracés au charbon dans
certaines des cavités de Colzard.
Cette
première catégorie de figurations
ne trouve -et en partie- d'equivalents que dans
le domaine atlantique, notamment les écussons
et les grilles. Le dolmen du "Berceau"
à Maintenon (Eure-et-Loir) constitue un
point intermédiaire intéressant,
mais dont la datation précise n'est pas
assurée. Le seul fait que ces symboles
soient tracés au charbon donne une idée
de leur fragilité ou de leur fugacité.
Certains monuments mégalithiques du Bassin
parisien ont dû en posséder d'équivalents,
dont aucun souvenir ne peut nous être parvenu.
On ne saurait exclure l'éventualité
que des figurations de ce genre se soient succédées
de façon permanente ou complexe, durant
toute l'utilisation des hypogées, et que,
par suite des destructions et changements survenus
dès le Néolithique, nous n'en ayons
qu'une idée très limitée.
2.Les
figurations d'outils
L'Abbé
Favret s'y est particulièrement intéressé,
allant même jusqu'à proposer la notion
de "hache, gardienne des tombeaux".
Il ne s'agit pas du seul type d'outil figuré:
sur la paroi interne d'une chambre de Colzard,
"Le Razet", figure, à droite
de la porte, une sculpture que nous interprétons
comme une aiguille à filocher. Les haches
sont presque toujours disposées de part
et d'autre de l'entrée, côté
antégrotte ou chambre funéraire,
en position verticale symétrique, taillant
tourné vers la porte. Leur forme, quelque
schématisée, est sans aucun doute
possible celle des outils à gaine à
trou transversal figurant dans le mobilier même
de la plupart des tombes. Il est très probable
que la hache, généralement déposée
par deux dans le mobilier, faisait partie intégrante,
comme viatique ou embléme majeur, du dépôt
collectif et initial, lors de l'introduction,
du (ou des) premier(s) corps dans la chambre.
A
Courjeonnet, du côté interne de l'entrée,
à droite, une association très étroite
entre "idole" et hache donne à
réfléchir. La hache forme la partie
basse de la figuration, et l'idole lui est visiblement
"surimposée" lors d'un travail
ultérieur en ronde-bosse. Un avant-bras
gravé très schématisé,
souligné au charbon et dans le plus pur
style des stèles anthropomorphes de la
Suisse, de l'Italie du Nord et du Midi de la France,
fait la jonction entre les deux. L'"idole"
ne comporte pas de seins. On est donc fondé
à en déduire que, non seulement,
les "divinités" étaient
sexuées, mais encore que les haches l'étaient
aussi et que leur "valeur" était
féminine. Courjeonnet est le seul indice,
de relation diachronique entre "dieu"
et hache. La combinaison hache-"dieu"
(idole sans attribut féminin explicite
-la paire de seins- et du suymbole supposé
féminin: la hache) concorde avec cette
intrerprétation.
L'importance
de la hache dans l'économie néolithique
n'est plus à démontrer. Sa place
parmi les symboles et les figurations schématiques
propres à cette période, non plus.
Il n'est donc pas étonnant que les figurations
des hypogées de la Marne tiennent une place
aussi importante dans la liste des représentations
magico-religieuses repérées par
les spécialistes, dans le Néolithique
occidental. Quant à la grande rouelle taillée
on bas-relief à gauche et au-devant de
l'entrée de la seconde chambre de "Saran"
à Chouilly, il n'est pas sûr qu'elle
appartienne à une phase initiale d'utilisation
de la sépulture collective. Sa réalisation
a en effet entamé les traces de façonnage
résultant de l'aménagement même
de la paroi, avec un creux plus profond et selon
une technique differénte de celle des haches
de Colzard et Courjeonnet. Cette rouelle pourrait
donc "signer" une réutillation
de la tombe au Bronze ancien.
3.
Les figurations anthropomorphes
Très
rares, elles ne le sont toutefois guère
plus à l'échelle de la Champagne
que du Bassin parisien.
Quatre
figurations seulement peuvent être signalées:
Colzard, hypogée n 23 (une seule figuration)
et n 24 (deux figurations). Dans ce dernier, la
présence de seins sur la "déesse"
situé à gauche de l'entrée
semble former une symétrie avec leur absence
sur "l'idole" placée en paroi
gauche de l'antégrotte. La divinité
avec paire de seins et collier de l'hypogée
no 23 n'est pas authentique. Cette sculpture est
en effect plus creuse que les deux autres, sa
surface est fraîche et lisse, étrangement
épargnée par les griffures de blaireaux
que couvrent le reste de la surface de l'antégrotte.
Mais il est certain qu'une figuration existait
bien á l'origine, si l'on en juge par la
partie basse de ce bas-relief, dont l'état
de surface est, on revanche, incompatible avec
le moindre maquillage. La partie haute de la sculpture
a sans doute été fortement refraîchie,
au moment même de la découverte.
La
question des influences mériodionales se
pose entre les figurations anthropomorphes des
hypogées et allées couvertes du
Bassin parisien d'une part et les stèles
méridionales de l'autre, compte-tenu des
ressemblances remarquées depuis longtemps
entre l'ensemble des figurations des deux régions.
Cette question n'était pas indifférente
aux problèmes chrono-culturels nouveaux,
posés par la distinction, dans le patrimoine
de la SOM, entre un matériel néolithique
récent et un matériel plus tardif,
non proprement SOM, et en rapport lui-même
avec la constitution d'un réseau complexe
d'échanges nord-sud et est-ouest.
Les
figurations anthropomorphes champenoises mériteraient
un inventaire documentaire de l'usage iconographique
qui a été fait, avec une incroyable
profusion et un étonnant manque de rigueur,
des rares premiers dessins (notamment dans De
Baye, 1880), reproduits les uns à partir
des autres, sans le moindre souci de retour aux
sources, à travers les nombreux ouvrages,
spécialisés ou non, qui ont traité
du Néolithique et des religions pré-
et protohistorique.
Pour
finir, on fera observer que les hypogées
ont ètè associés à
des menhirs, par exemple à Congy, "La
Pierre Frite", où deux blocs dressés
(dont il ne subsiste plus qu'un en place) se trouvaient
au-devant d'un groupe de chambres funéraires.
L'analogie plastique entre menhirs et "idoles"
en bas-relief, s'ajoutant à cet exemple
d'association des deux types de monument, pousse
à envisager un rôle symbolique similaire
des menhirs et des figurations anthropomorphes.
Ces dernières sont en effect toujours placées
dans la partie antérieure des grottes.
Les premiers pourraient être des idoles
de type non figuratif, peu-être même
"habillées" ou colorées
à leur époque, les secondes équivaudraient
à une forme diminutive des stèles
méridionales
ARTE
MEGALÍTICA DA COSTA NORTE DE PORTUGAL
Eduardo
J. Lopes da Silva
Instituto de Arqueologia
Universidade Portucalense
No
âmbito de um projecto de investigação
que vem desenvolvendo, há anos, no litoral
minhoto e na bacia do Douro, na área do
megalitismo, o autor descobriu um conjunto de
lajes dolménicas possuidoras de gravuras
rupestres, até agora desconhecidas, pertencentes
a vários monumentos localizados na costa
Norte de Portugal. Apesar de se destinarem a ser
inseridas num trabalho de maior fôlego,
visando o estudo completo de mais de duas dezenas
de mamoas escavadas nesta área, serão
apresentados neste Colóquio alguns dados
inéditos, pela importância de que
os mesmos se revestem, atendendo a que se situam
numa zona onde até agora, poucos conhecimentos
deste tipo existiam. Dar-se-á particular
relevo a motivos antropomórficos e zoomórficos
presentes em dólmenes com estruturas bem
conservadas.
Palavras
chave: Arte / Minho / Megalitismo / Antropomorfos
/ Zoomorfos.
ARTE
MEGALÍTICA NO PLANALTO DE CASTRO LABOREIRO
(MELGAÇO, PORTUGAL)
António
Martinho Baptista
Centro Nacional de Arte Rupestre. Vilanova de
Foz Côa
Em
Abril de 1990, na sequência de uma violação
recente, detectámos a presença de
gravuras e restos de pinturas na Mota Grande,
a maior mamoa do planalto de Castro Laboreiro.
Tendo em atenção a importância
do achado e no sentido de salvaguardar futuros
vandalismos no monumento, realizámos de
imediato o levantamento das gravuras dos dois
esteios decorados que foi possível identificar.
Posteriormente e porque o monumento, embora se
localize em plena linha de fronteira, está
já na mancha galega do planalto, comunicámos
estes achados aos responsáveis do Património
Histórico da Galiza. Por não considerarmos
este levantamento como um trabalho acabado, nunca
o publicámos. No entanto e talvez na sequência
do nosso alerta, o Boletín Avriense revelou
a presença da arte megalítica na
Mota Grande através de um pequeno artigo,
com um desenho sumário e imperfeito dos
motivos.
Entretanto,
o Parque Nacional da Peneda-Gerês, por protocolo
com a Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia,
iniciou o estudo arqueológico do megalitismo
do planalto de Castro Laboreiro, tendo-se começado
as escavações a partir de 1992,
com uma equipa constituída por Vítor
Oliveira Jorge (a quem foi entregue a coordenação
científica do projecto), Eduardo Jorge
Lopes da Silva, Susana Oliveira Jorge e nós
próprios. Entre 1992 e 1994, foram realizadas
três campanhas de escavações
em monumentos situados na Portela do Pau, a mais
de 1 200 metros de altitude, em mamoas integradas
no mesmo conjunto da Mota Grande. Desde o início,
quer o PNPG, quer a SPAE, procuraram alargar o
âmbito desta investigação
a colegas da Galiza, facto que nunca foi possível.
Por outro lado, durante esse tempo, o PNPG disponibilizou
verbas vultuosas para esta investigação
("Castro Laboreiro, uma arqueologia da Paisagem",
assim se chamava o projecto), que culminariam
com a criação de um Museu de Freguesia
em Castro Laboreiro e de um "parque temático
megalítico" no planalto. Infelizmente,
por razões várias, os trabalhos
arqueológicos no planalto foram suspensos
a partir de 1995, tendo entretanto também
a mudança de gestão no PNPG em 1996
conduzido a uma alteração da política
arqueológica do próprio PNPG, desde
então completamente paralizado no que à
arqueologia diz respeito.
Durante
as campanhas de 1993-1994 foram descobertos novos
restos de arte megalítica noutros dos tumulus
da Portela do Pau, a mamoa 2, descoberta que decorreu
fruto da escavação. Conhecem-se
assim no grupo de mamoas da Portela do Pau dois
dólmens decorados, havendo possibilidades
de trabalhos futuros poderem detectar novos restos
artísticos. Também o levantamento
arqueológico da arte megalítica
desta mamoa 2, devido ao tipo de vestígios
que ostenta e à interrupção
dos trabalhos em 1995, nunca foi convenientemente
terminado, sendo passível de pequenos acertos
no futuro.
Pese
embora estes factores, são esses dois levantamentos
"quase completos" que trazemos à
apreciação deste Colóquio.
A
Mota Grande é a mais imponente mamoa do
planalto de Castro Laboreiro. A ela devia estar
associado um menir que detectámos junto
à sua base, removido muito provavelmente
pelos trabalhos de uma estrada que segue a linha
de fronteira. Na sequência dos alertas que
lançámos junto das autoridades da
Galiza, este monumento, profundamente violado
em meados dos anos 80, seria parcialmente escavado
e consolidado por uma equipa galega no verão
de 1995. Na altura, por deferência dos colegas
galegos, acompanhámos estes trabalhos,
que se limitaram a uma melhor definição
e desenho da estrutura da câmara e a uma
limpeza e leitura dos cortes e perfis deixados
pelos violadores na mamoa. Não tendo sido
possível outro tipo de colaboração,
não tivemos oportunidade de corrigir o
levantamento inicial das gravuras, que é
o que agora apresentamos.
A
câmara megalítica é de planta
poligonal, tendo, pelo menos, dois dos seus esteios
gravados, respectivamente o primeiro e segundo
esteios à esquerda da pedra de cabeceira.
A decoração é constituída
pela habitual temática da arte atlãntica
megalítica, destacando-se uma representação
de tipo "idoliforme", gravada em baixo-relevo,
presumivelmente também com restos de pintura
a vermelho, rodeada de figuras meândricas.
O motivo "idoliforme" está aparentemente
centrado no esteio, formando com a restante decoração
uma composição de carácter
abstracto.
O
segundo esteio citado, à esquerda do anterior,
ostenta igualmente uma composição
centrada num conjunto de quatro círculos
concêntricos rodeados por linhas meandricas
e quebradas. Por não termos efectuado qualquer
escavação neste dólmen, não
foi possível determinar exactamente a base
da composição. Deve ressalvar-se
o particularismo técnico dos gravadores
que se terão apercebido, talvez durante
a operação de talhe do esteio, da
presença de um manto de pegmatites róseas
na composição do granito. A superfície
amarelada do granito ligeiramente picotada deixava
aparecer a camada rósea de pegmatite, criando
uma ilusão pictórica muito idêntica
a uma pintura a ocre.
Relativamente
à decoração do dólmen
da mamoa 2 da Portela do Pau, ela é quase
inteiramente gravada, ostentando embora também
restos de pintura a negro. Aqui, após o
restauro da cãmara megalítica (também
ela de planta poligonal e corredor indiferenciado)
que se limitou à reposição
dos sete esteios ainda existentes "in loco"
nas suas camas originais, foram identificadas
decorações em seis desses esteios.
Apenas o primeiro esteio à direita não
tinha qualquer decoração. Esta é
quase inteiramente formada por faixas ritmadas
de linhas quebradas, destacando-se a do esteio
de cabeceira, a mais compósita, que, quer
pela formulação decorativa, quer
pela própria forma do esteio, lembra uma
enorme placa de xisto! Por outro lado, a decoração
deste dólmen, tem, ela própria,
alguns particularismos que importa destacar. Assim,
ao contrário da Mota Grande, o ordenamento
decorativo é compósito e deve ser
encarado como um todo, não devendo isolar-se
a sua temática que é aparentemente
realizada num único momento. As gravuras
são finíssimas, muitas delas quase
imperceptíveis. Os restos de tintas negras
em alguns sectores de pelo menos dois esteios,
levam-nos a considerar poderem estes ter sido
inicialmente cobertos integralmente por uma tinta
negra e as gravações finamente realizadas
sobre essa tintagem negra. Esta tinta apareceria
como um preparado. As datações absolutas
a partir de amostras de carvões, atribuíveis
ao momento de "condenação"
da cãmara deram cronologias da primeira
metade do IV milénio a.C. De acordo com
a hipótese interpretativa apresentada por
Vítor Oliveira Jorge na publicação
destas datações (1996), a mamoa
2 teria sido construída "durante a
segunda metade do V milénio a.C."
É a este momento que deve ser atribuído
o seu "projecto decorativo", que deve
ser encarado como uma obra total, realizado num
único momento.
A
decoração da Mota Grande, integrada
no mesmo conjunto de mamoas, deve ser atribuída
"sensu latu" ao mesmo período
cronológico.
OVERLAYS
AND UNDERLAYS.
ASPECTS OF MEGALITHIC ART SUCCESSION
AT BRUGH NA BÓINE
George
Eogan
Knowth
Excavations
Slane, Co. Meath - Ireland
A
feature of the megalithic art at Brugh na Bóine
is the fact that it is not all contemporary. In
all the major sites evidence for overlays exists
but it is at Knowth that this aspect is especially
clear. There, in the two tombs in the large mound,
arte succession is a feature. The best evidence
occurs in the chambers. Here the earliest art
is angular in form and is applied by incision.
This is followed by again angular motifs but the
technique is pocking. In turn the angular art
is succeeded by loose picking. This extends over
an area of the surface of the stone but does not
constitute motifs. The foregoing compositions
are confined to the inner portions of the tombs
but the next overlay occurs in the portion of
the passage in the area of the outer sill-stone
as well as on the entrance stones. This overlay
consist of more definite compositions formes by
picking and in a ribbon-like form to constitute
a somewhat rectangular shaped design.
O
MENIR DO MONTE DA RIBEIRA
(REGUENGOS DE MONSARAZ, ALENTEJO)
NO CONTEXTO DA ARTE MEGALÍTICA OCIDENTAL(1)
Vítor
dos Santos Gonçalves*
Rodrigo de Balbín Behrmann**
Primitiva Bueno Ramírez**
*Centro
de Arqueologia (UNIARQ). Faculdade de Letras.
Universidade de Lisboa
** Área de Prehistoria. Universidad de
Alcalá de Henares
O menir do Monte da Ribeira encontra-se actualmente
localizado na Herdade do mesmo nome, a cerca de
4 Km de Reguengos de Monsaraz. Foi removido de
um sítio já identificado, que não
dista muito do seu lugar actual.
Trata-se
de uma peça esteliforme de 4.70m de altura
e com uma largura máxima de 1m e uma espessura
máxima de 50cm. A sua forma geral é
muito semelhante à do conhecido menir da
Bulhoa.
Tal
como muitos menires de Reguengos, apresenta-se
profusamente gravado, sendo de salientar a presença
de um báculo, a que se sobrepõe
the thing, provavelmente um machado encabado.
Entra as gravuras, contam-se um zigue-zague picotado,
um notável báculo em baixo relevo,
uma serpente de carácter naturalista, uma
linha sinuosa, um cinturão oblíquo,
machados simples, halteriformes, círculos
isolados, formas paracirculares, um motivo composto
por várias formas circulares e paracirculares,
um machado encabado e diversas "covinhas"
("fossettes", "cup-marks").
No
reverso, a superfície está muito
deteriorada, mas identificámos um báculo
em baixo relevo, uma serpente e "covinhas"
dispersas, uma com raios de sol.
Os
autores integram este notável monumento
no megalitismo e na arte megalítica de
Reguengos de Monsaraz, a propósito da qual
preparam actualmente vários estudos.
ESTÁTUAS-MENIRES
ANTROPOMÓRFICAS DO ALTO-ALENTEJO.
DESCOBERTAS RECENTES E PROBLEMÁTICA
Mário
Varela Gómes
Academia
Portuguesa da História
Quando
entre 1986 e 1990 procedemos à escavação
do Cromeleque dos Almendres (Évora), o
maior conjunto de menires estruturados da Península
Ibérica, descobrimos cerca de uma dezena
de menires decorados. Verificámos, então,
que durante o Neolítico Final, alguns menires,
cuja forma primitiva era ovóide, teriam
sido parcialmente aplanados, de modo a determinar
uma face que foi decorada.
Um
daqueles monólitos mostra complexa composição
formada por treze representações
dos artefactos comummente denominados "báculos",
com paralelos nos contextos funerários
evolucionados do megalitismo do Sul de Portugal.
Também
o menir do Monte dos Almendres, situado não
longe do recinto referido, exibe, ao centro de
uma face, ligeiramente aplanada, a representação
de um "báculo", disposta na horizontal
e acompanhada por faixa de linhas onduladas.
A
posição do báculo sugere
antropomorfização do suporte, ou
seja a figuração de personagem com
forma humana que suportasse sobre o peito tal
artefacto.
Foi,
ainda, no Cromeleque dos Almendres que reconhecemos
duas verdadeiras estátuas-menires: uma
delas (m.56) tem largo nariz rectangular e dois
olhos circulares a que se associa um motivo lunular,
enquanto a outra oferece apenas a face antropomórfica
associada a linhas onduladas (m.76).
No
Cromeleque da Portela de Mogos (Ëvora), que
escavámos recentemente (1995-96), descobrimos,
pelo menos, seis menires que apresentan faces
planas, talhadas após a sua erecção,
conforme demonstram os fragmentos cortados que
jaziam ainda junto de alguns, conferindo-lhes
forma estelar.
Em
quatro deles reconhecemos grandes figurações
antropomórficas, detectando-se, no terço
distal das faces aplanadas, o reço luniforme,
tambén em relevo, que assentaria sobre
o peito da entidade figurada e cujo limite superior
demarca a face destas verdadeiras estátuas-menires.
Por ora, em nenhuma delas foi figurada a boca
e apenas uma (m.25) tem os seios representados
através de gravação, podendo
tratar-se da feminilização de monumento
primitivamente masculino.
As
estátuas-menires referidas constituem não
só os primeiros monumentos deste tipo encontrados
no Alto-Alentejo, como os únicos ainda
in situ da Península Ibérica. Elas
devem integrar episódio tardio do Neolítico
Final, quando em toda a Europa Meridional surgiram
importantes inovações não
só na superestrutura religiosa, de que
elas próprias são testemunho, como
tecnológicas, designadamente o arado e
o carro, permitindo excepcional desenvolvimento
agrícola e alterações na
estrutura social, sobretudo motivadas pela acumulação
do sobreproduto económico derivado daquela
actividade.
As
pequenas estatuetas, de cerâmica, chamadas
de "tipo Comporta", também conhecidas
no Alto-Alentejo nos povoados do Neolítico
Final de Vidigal (Montemor-o-Novo), S. Caetano
(Évora) e perdigões (Reguengos de
Monsaraz), parecem ser a tradução,
à escala privada ou familiar, daqueles
monumentos públicos, por certo com função
propiciatória.
Pela
primeira vez, no processo histórico ocorrido
naquela região, reproduzem-se possíveis
divindades, com formas e dimensões humanas,
fenómeno a que não deve ser estranha
a emergência da concentração
do poder sócio-religioso em determinados
indivíduos e a consequente consolidação
da sociedade tribo-patriarcal então verificada.
CROMELECHS
ALENTEJANOS E ARTE MEGALÍTICA
Manuel
Calado
Faculdade
de Letras
Universidade de Lisboa
Apresenta-se
uma breve síntese dos dados mais recentes
relativos aos menires e recintos megalíticos
alentejanos, nomeadamente quanto à distribuição
espacial e à relação com
os vestígios de povoamento pré-histórico
e com o megalitismo funerário; discutem-se,
por outro lado, algumas hipóteses de enquadramento
e sequenciação cronológico-culturais,
fundamentais para a abordagem evolutiva da arte
megalítica regional.
Encara-se
a génese do megalitismo alentejano como
uma componente do processo de neolitização
do interior, em que as últimas comunidades
humanas dos concheiros do Tejo e do Sado terão
desempenhado um papel fundamental. Desconhecem-se,
de um modo geral, os enterramentos associados
ao povoamento do Neolítico Antigo/Médio
da região, uma vez que as primeiras sepulturas
megalíticas parecem surgir já no
final do período; os recintos megalíticos
alentejanos não tiveran, concerteza, funções
funerárias, pelo que importa considerar,
no conjunto da arte megalítica, uma vertente
não funerária, com uma iconografia
eventualmente diferenciada.
Os
aspectos funcionais e a aparente anterioridade
relativa dos grandes recintos megalíticos
alentejanos, no contexto da arquitectura megalítica
regional, permite considerar, consequentemente,
uma certa especificidade para os temas gravados
nos respectivos menires: de entre estes, destaca-se
a representação naturalista do crescente
lunar e dos báculos, elementos gráficos
quase desconhecidos nos esteios dos monumentos
funerários ibéricos ou nas estelas
que lhes são associadas; em contrapartida,
estão ausentes os antropomorfos e as armas.
Os
melhores paralelos conhecidos para alguns dos
temas e associações de temas observados
nos menires alentejanos, encontram-se na Bretanha,
nomeadamente nos grandes menires e estelas decoradas
do Morbihan, cuja anterioridade regional tem sido
também recentemente defendida.
Outra
consequência de uma eventual antiguidade
dos recintos megalíticos alentejanos (atribuíveis,
na perspectiva que defendemos, ao Neolítico
Antigo/Médio), é a de que um mesmo
fundo cultural atravessa as sociedades peninsulares
(e não só) desde, pelo menos, essa
época e a Idade do Bronze, como noutra
perspectiva, tem vindo a ser sublinhado; de facto,
alguns temas mais recorrentes, como os serpentiformes,
parecem desaparecer mais cedo, enquanto os antropomorfos
acabam, na fase terminal da sequência, por
aparecer acompanhados, ou ser substituidos, por
armas e adereços pessoais.
A
ausência de machados, representações
que, na Bretanha, acompanham com frequência
as dos báculos, sugere, a par de outros
indicadores, uma sociedade eminentemente pastoril,
na época da construção dos
grandes recintos megalíticos. Os báculos
devem ser considerados, tal como os machados,
a representação de um instrumento
de trabalho. São o símbolo do domínio
do Homen sobre os rebanhos. Representam, afinal,
uma das grandes inovações do "pacote"
neolítico: a domesticação
dos animais.
Os
grandes recintos megalíticos alentejanos,
em que os báculos (e os elementos astrais)
se destacam como os temas mais recorrentes, sugerem,
para a época em que foram erguidos, um
ambiente de ruptura cultural e de exaltação
dos novos valores emergentes com a chamada "domesticação
da Europa".
MANIFESTAÇÕES
ARTÍSTICAS, MEGALÍTICAS E OUTRAS,
NO QUADRO DA PRÉHISTÓRIA RECENTE
DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO. ALGUMAS
REFLEXÕES
Maria
de Jesus Sanches
Faculdade
de Letras
Universidade do Porto
A
documentação arqueológica
disponível para a província de Trás-os-Montes
e Alto Douro permite-nos traçar um quadro
de implantação de comunidades neolíticas
neste território, numa fase anterior à
construção de monumentos megalíticos,
i.e., num período que terá o seu
início na passagem do VI ao V milénio.
Estas
comunidades do Neolítico inicial regional
acusam uma economia dominada provavelmente pelas
actividades recolectoras e caçadoras, mas
onde a componente agrícola (cultivos de
trigo, cevada e leguminosas, com a presença
de moinhos, machados e enxós) e pastoril
(ovídeos e caprídeos) se começa
a desenvolver. Embora com instrumentos líticos
de tradição epipaleolítica/mesolítica
(buris, furadores, micrólitos geométricos,
lamelas, etc.) que podem seguir tradições
regionais anteriores, a estilística da
cerãmica indica filiações
meridionais, do Neolítico andaluz.
As
estações que maior base arqueográfica
e paleobotânica oferecem são em abrigo
-abrigo do Burado da Pala, em Mirandela e abrigo
da Fraga d'Aia, em S.J. da Pesqueira-, apesar
de actualmente se conhecerem outras estações
de ar livre deste período nesta província
de Trás-os-Montes e Alto Douro. Na Serra
da Aboboreira (necrópole megalítica),
já no Douro Litoral, e no planalto de Sabrosa
(necrópole megalítica também),
é possível defender também
a hipótese da implantação
das primeiras comunidades neolíticas no
V milénio AC, num período, digamos
"pré-megalítico".
Cremos
ser possível colocar a hipótese
de que as mais antigas manifestações
de arte rupestre conhecidas na região -Fraga
d'Aia (painel A), abrigos da Serra de Passos/Santa
Comba (sobretudo o painel 1 do abrigo 2 do Regato
das Bouças), e abrigos do Alto Côa
(Faia)- faríam parte das estratégias
de marcação/apropriação
simbólica do território destas primeiras
comunidades produtoras, marcadas ainda por uma
grande mobilidade (no Neolítico inicial
regional).
Com
o início da construção dos
primeiros monumentos sob tumulus, no último
quartel do V milénio AC, parece operar-se
uma maior diversificação nas formas
de marcação do território,
pois o espaço construído parece
implicar uma maior fixação territorial,
assim como uma maior complexidade nas relações
sociais intra e inter-comunitárias de grupos
tendencialmente mais sedentários. Falamos
em diversificação e não em
mudança (embora esta possa estar presente
em certos grupos) pois somos de opinião
de que durante o período de construção
de monumentos megalíticos, as cerimonializações
comunitárias devem ter implicado a continuação
da frequência de antigos espaços
mais ligados ao mundo natural -abrigos sob rocha
ou rochas de ar livre-, assim como a criação
de "locais novos".
Como
a arte megalítica parece afectar sobretudo
monumentos de grandes dimensões e/ou monumentos
de arquitectura complexa, podemos inferir que
seria no início do IV milénio (ou
finais do V, na Beira Alta), que a iconografia
patente em abrigos naturais seria progressivamente
adoptada/transfigurada em novas combinatórias
compositivas e conceptuais, patentes nos dólmens
(sobretudo certos tipos de figurações
animais e humanas, esteliformes, serpentiformes,
figurações várias de tipo
geométrico, etc.).
Este
processo parece continuar durante a 2 metade do
IV e a primeira metade do III milénio,
embora a cronologia absoluta disponível
e as condições específicas
de estudo da arte não permitam precisar
ainda quais os monumentos ocupados durante este
período por um lado, e quais os abrigos/rochas
de ar livre (com pintura e/ou gravura) que foram
criados ex novo, ou simplesmente frequentados,
por outro. Também é difícil
perceber se alguma iconografia megalítica
não decorre já de frequências
posteriores aos meados do III milénio AC,
como pode indicar a laje de Vale de Juncal (Mirandela),
possivelmente proveniente dum monumento megalítico.
O
conjunto de estelas do santuário do Cabeço
da Mina (Vila Flor), além de outras conhecidas
na região em estudo, pode decorrer também
da adpocão/transfiguração,
no III milénio AC, das pequenas estelas
ou ídolos utilizados em alguns dólmens
complexos.
Em
síntese, aquilo que se pretende apresentar
nesta comunicação, é uma
tentativa de inserção da arte rupestre,
da arte megalítica e de outras manifestações
escultóricas, no quadro da progressiva
implantação territorial das sociedades
préhistóricas de trás-os-Montes
e Alto Douro, do desenvolvimento de economias
agro-pastoris, da complexificação
social e da criação/utilização
permanente de locais destinados a cerimonializações/negociações
intra e inter-comunitárias.
ARTE
PARIETAL MEGALÍTICO Y GRUPO GALAICO DE
ARTE RUPESTRE: UNA REVISIÓN CRÍTICA
DE SUS ENCUENTROS Y DESENCUENTROS EN LA BIBLIOGRAFÍA
ARQUEOLÓGICA
Antonio
de la Peña Santos*
José Manuel Rey García **
*Museo
Provincial de Pontevedra
**Instituto de Conservación e Restauración
de Bens Culturais. Xunta de Galicia
En el Noroeste de la Península Ibérica
se documentan a lo largo de la Prehistoria Reciente
cuando menos dos manifestaciones diferentes de
arte parietal: una, el arte parietal megalítico,
nos ha legado, bajo forma de grabado y/o pintura
sobre las losas de algunos de los miles de monumentos
funerarios megalíticos, un reducido número
de representaciones; otra, el Grupo Galaico de
Arte Rupestre, ha dejado grabados sobre rocas
al aire libre una gran variedad de motivos.
En
un trabajo de este tipo es necesario dejar fijado
de antemano lo que se pretende y lo que no se
pretende. Así, no es objeto del mismo la
definición de las características
que individualizan y conforman la especifidad
de cada una de estas manifestaciones. Existen
para ello un buen número de publicaciones,
algunas de ellas recientes, en la que estas son
aisladas y abordadas. Lo que sí se persigue
en este artículo es proceder a una revisión
crítica de los argumentos utilizados en
la bibliografía arqueológica a la
hora de establecer los encuentros y desencuentros,
las semejanzas y las diferencias entre ambos artes,
partiendo de un doble análisis: de un lado,
una revisión historiográfica de
la producción bibliográfica, de
otro, el estudio comparativo entre las dos manifestaciones
artísticas.
La
revisión historiográfica establece
un recorrido por aquellas publicaciones más
significativas que, de forma directa o indirecta,
contribuyeron a generar el marco adecuado para
la comprensión de ambos fenómenos
en cada uno de los momentos y trayectorias definidas
por las investigación. Esta revisión
aborda, fundamentalmente, a la producción
bibliográfica generada y difundida en el
noroeste peninsular o a aquella otra que, siendo
obra de autores extranjeros o ajenos al ámbito
arqueológico gallego, hace especial referencia
a esta región o bien tuvo una especial
incidencia sobre la bibliografía posterior
generada en Galicia.
Finalmente,
a partir del estudio comparativo de los argumentos
de análisis aislados en el lento proceso
de conformación del conocimiento sobre
estas manifestaciones artísticas, se plantea
un balance crítico de los mismos con la
finalidad de que puedan servir de punto de arranque
para una necesaria reformulación de los
presupuestos teóricos y metodológicos
que permitan avanzar en su conocimiento.
CISTAS
DECORADAS DE GALICIA Y SU CONTEXTO REGIONAL
Rafael
Penedo Romero*
Ramón Fábregas Valcárce**
*Instituto
de Conservación e Restauración de
Bens Culturais. Xunta de Galicia
**Departamento de Historia I. Universidade de
Santiago de Compostela
Se
conocen en el territorio gallego unos pocos ejemplos
de enterramientos en cista que presentan decoraciones
en alguna de sus losas. Los motivos reconocidos,
de carácter abstracto en su totalidad,
muestran una serie de interesantes concomitancias
con algunas de las representaciones megalíticas
y con el arte al aire libre. Las cistas parecen
responder a una nueva situación socioeconómica
desde inicios de la Edad del Bronce, pero sin
que ello implique una ruptura total con la dinámica
calcolítica previa. Esta continuidad parcial
se pone de manifiesto en la selección de
motivos tradicionales (de raigambre megalítica)
y también en el polimorfismo existente
en las prácticas funerarias: construcción
de cistas o fosas, junto a la reutilización
y construcción ex novo de túmulos,
y el uso de la inhumación así como
de la incineración.
L'ART
MÉGALITHIQUE EN ARMORIQUE:
SURVIVANCES ET ACCULTURATIONS DE L'AGE DU BRONZE
Jacques
Briard
CNRS
Université de Rennes 1
A
la fin du Néolithique les changements religieux
préludant à l'Age du Bronze ont
conduit à la destruction ou à la
réutilisation de dalles gravées
ou d'idoles anthropomorphes de déesses-mères.
Le tumulus de Tossen-Keler à Penvenan,
Côtes-d'Armor, montre ainsi trois dalles
gravées dont l'une avec une idole, l'autre
avec une hache emmanchée sont plantées
à l'envers dans le cercle d'entourage du
tumulus, figures au bas de la stèle. Le
tumulus de Kermené à Guidel, Morbihan,
est un monument sans chambre avec une chape de
pierres parmi lesquelles des fragments d'une déesse-mére
brisée qui avait une paire de seins et
un collier. Ces deux monuments se situent vers
3000 à 2500 ans avant J.-C. Plus tardivement,
au Bronze ancien, le tumulus classique à
pointes de flèche de Kersandy à
Plouhinec, Finistère, donne un autre exemple
d'idole néolithique réutilisée
pour la couverture de la tombe. Cette dalle brisée
par le milieu et à l'appendice céphalique
ébréché, fait aussi partie
de ce rite des idoles brisées se prolongeant
ici de 1850 à 1500 ans avant J.-C. La tradition
mégalithique s'est poursuivie aussi au
Bronze ancien par la contruction de petites tombes
en coffres mégalithiques autrefois décrits
comme des dolmens simples. Les fouilles récentes
ont montré que c'était des sépultures
individuelles fermées, sans couloir d'accès.
Celle de Juno Bella à Berrien, Finistère,
exhibe une paire de seins en relief rappelant
les figurations des allées couvertes, bien
qu'ici il semble que l'on ait utilisé un
relief naturel. Les figurations de cupules sont
beaucoup plus fréquentes sur les tombes
des "dolmens" du Norohou à Loqueffret
ou de Saint-Heneau à Landeleau, Finistère.
On retrouve ces cupules dans les coffres en dalles
de schiste de Tredudon à Berrien et même
dans la tombe sous tumulus du Minven à
Tréogat, Finistère. On peut ajouter
de très belles dalles gravées de
cupules et signes géométriques recouvrant
des tombes en fosses dont un bon exemple est fourni
par la tombe de Saint-Ouarno à Langoëlan,
Morbihan. Elle montre une organisation des cupules
en deux systèmes perpendiculaires complétés
et entourés de signes de taille plus grande.
Le Finistère vient de donner d'autres beaux
exemples de ces dalles comme celle du Tréhou.
En
Haute-Bretagne la site de la Grée de Cojoux
à Saint-Just, Ille-et-Vilaine, donne un
exemple remarquable de la permanence du rite des
cupules. On les trouve dans la tombe en fosse
à vases danubiens de La Croix Saint-Pierre,
au dolmen transepté du Chãteau-Bû
et à la sépulture à entrée
latérale du Four Sarrazin. Le Chalcolithique
se les approprie avec la petite stèle anthropomorphe
des alignements du Moulin et le coffre du domen
sud de La Croix Saint-Pierre. Les tombes de l'Age
du Bronze, édifiées sur le Chãteau-Bû
au dessus du dolmen transepté, ont aussi
des entourages de dalles dont certaines sont ornées
de cupules. Ce rite se retrouve utilisé
sur les roches naturelles de Saint-Just mais également
à quelques dizaines de kilomètres
sur les rives de la Vilaine. Elles semblent correspondre
à un culte des eaux particulièrement
vivace à l'Age du Bronze et qui se perpétuera
au Bronze final dans la région de Piriac-Pénestin
en Loire-Atlantique. Mais il ne faut pas oublier
que ce rite aura longue vie puisqu'on le retrouve
sur les perrons des fontaines et les pieds de
calvaire aux périodes historiques.
LES
CUPULES EN RELATION AVEC LES MONUMENTS MÉGALITHIQUES
DU FINISTÈRE (BRETAGNE, FRANCE)
Michel
Le Goffic
Service
Départemental d'Archéologie
Conseil General Finistère
Les
cupules, ces petites dépressions plus ou
moins hémisphériques, d'un diamètre
généralement compris entre trois
et dix centimètres pour une profondeur
très variable, peuvent avoir une origine
naturelle ou anthropique. L'existence d'enclaves
endogènes ou exogènes dans les granites,
gneiss, migmatites, est fréquente et la
composition différente de ces enclaves
engendre parfois une altération plus rapide,
quand ce n'est pas l'inverse, induisant ainsi
soit des dépressions, soit, au contraire,
de petits mamelons. Certaines surfaces schisteuses
peuvent présenter des pseudo-cupules qui
ne sont en fait que des négatifs de nodules
plus vite altérés ou libérés
de leur matrice, ce genre de phénomène
se voit particulièrement sur les schistes
à nodules de la formation des schistes
et quartzites de Plougastel du siluro-dévonien
de la rade de Brest. Cependant les cupules naturelles
les plus fréquentes se voient sur le littoral
et sont l'oeuvre des oursins. Cette dernière
observation a déjà été
mentionnée par le Dr. A. Corre en 1893
à propos de "l'assimilation de tels
ou tels creux ou reliefs à des figurations
intentionnelles". Ces cupules dues aux oursins
se trouvent sur toutes roches mais nous n'en avons
cependant pas remarquées sur le grès
quartzitiques. Il est bien évident que
la plus grande prudence doit être de rigueur
dès lors que l'on examine des mégalithes
dont les dalles peuvent provenir de l'estran ou
d'une ancienne surface d'abrasion marine.
Cette
remarque préliminaire étant faite,
il n'en demeure pas moins vrai que les cupules
observées sont, pour la plupart, l'oeuvre
de l'Homme. Les premières attestées
datent du Paléolithique et les dernières
sont contemporaines. La répartition spatiale
est mondiale, cependant, au cours du Néolithique
et à l'ãge du bronze, il semble
bien que l'Ouest de l'Europe, de l'Ecosse au Portugal,
de la Bretagne aux Alpes, ait été
le lieu de prédilection de cette pratique.
La vaste répartition spatio-temporelle
des cupules, les multiples interprétations
-certaines très fantaisistes- qui ont été
avancées, le fait qu'il ne s'agit pas d'oeuvres
majeures, tous ces critères ont eu pour
résultat la disparition pure et simple
de certaines dalles travaillées, ce qui
nous a conduit à procéder à
des relevés et prises de clichés
pour éviter que certaines informations
ne se perdent à jamais.
L'affleurement
du Reun à Tréffiagat se trouve à
60 m d'un grand menhir et, à la fin du
siècle dernier, se trouvait à proximité
immédiate un dolmen en "V" fouillé
par Du Chatelier qui a aujourd'hui disparu. Par
contre, en 1967 l'ancienne surface d'abrasion
marine a été dégagée
laissant apparaître un système très
complexe de cupules et barres. Près de
300 cupules ont été relevées
mais la plus grande partie des signes gravés
est encore sous le sol couvert de lande et l'on
peut estimer à plusieurs milliers le nombre
de cupules et de signes. Il s'agit là de
la plus grande concentration de cupules de l'Ouest.
Au
Tréhou, une des dalles d'un caveau à
rainures de l'ãge du bronze montre un double
système de gravures où l'on reconnaît
des cupules simples, des cupules en haltères,
des signes en "U" et des réticulés.
Cependant cette dalle est en réemploi,
elle a été brisée pour être
mise à la dimension des autres dalles du
caveau et, antérieurement, constituait
vraisemblablement une stèle qui pourrait
être d'ãge néolithique.
Voici
deux exemples qui montrent la diversité
et la complexité des assemblages de cupules
et leur problèmes de datation. Le cas de
la pierre de Sainte Nonne à Dirinon mérite
d'être étudié, d'autant plus
que s'y rattache un culte encore vivace et parfois
inavouable.
"MEGALITHIC
ART" IN A SETTLEMENT CONTEXT:
SKARA BRAE AND RELATED SITES IN THE ORKNEY ISLANDS
Elizabeth
Shee Twohig
Department
of Archaeology
University College. Cork
My
paper will discuss the carvings found at the settlement
of Skara Brae in the Orkney Islands off the north
east coast of Scotland. The site consists of a
series of stone built houses which are extremely
well preserved because of having been enveloped
in sand until the last century. Excavation and
conservation work in the late 1920s under the
direction of V. G. Childe revealed at least 10
houses which had been built over the period c.
3100-2500 BC.
Between
55 and 60 carvings were noted in Houses 7 and
8 and in the passages nearby, and the majority
are still in situ. Excavations by D.V. Clarke
in 1972-73 remain unpublished but the record of
carvings I made at that time were published in
my Megalithic art of Western Europe (1981) and
form the basis for this review of the topic.
57
stones documented
75%
incised carvings
12%
incised and picked carvings
10.5%
carved only
2%
notching
The
preponderance of incised carvings is probably
due to the suitability of the local flagstones
for this technique of execution.
A
considerable number of elaborately carved artefacts
were also found including a range of stone objects
such as maceheads and balls. Bone and ivory was
also carved and the pottery is heavily decorated.
Carvings
have been recorded at two other settlement sites,
Barnhouse and Pool.
Megalithic
tomb art is also known in the Orkneys, mainly
on tombs of the Maes Howe type, including incised
designs on Maes Howe itself. Elsewhere several
elaborate spiral carvings are recorded and generally
compared with the Irish series, though they are
in fact somewhat different.
In
these islands the architecture of the houses and
tombs shows striking similarities. It should not
be surprising therefore to find that carving styles
are shared between the spaces for the living and
the dead.
EL
ARTE MEGALITICO A ESTUDIO
MEDIANTE LAS NUEVAS TECNOLOGIAS DIGITALES
Antón
A. Rodríguez Casal*
Lorenzo Gómez González**
Cecilio Fernández Moraña**
*Departamento
de Historia I. Universidade de Santiago de Compostela
**Facultade de Física. Universidade de
Santiago de Compostela
Partiendo del hecho de que uno de los problemas
fundamentales a la hora de la interpretación
del arte prehistórico reside en un incompleto
o erróneo análisis de los datos,
se plantea la conveniencia de la utilizacion de
las nuevas metodologías digitales que superen
anteriores métodos de reproducción
utilizados habitualmente. En la actualidad estamos
llevando a cabo en el Laboratorio de Tratamiento
Digital de Imagen de la Facultad de Física
de la Universidad de Santiago de Compostela un
proyecto de investigación sobre la aplicación
de las nuevas técnicas digitales en base
a una crítica a las desarrolladas tradicionalmente,
con un nuevo planteamiento fundamentado en una
metodología científicamente comprobable
en base a las técnicas de fotogrametría
digital, tratamiento digital de las imágenes
y restitución de datos numéricos
e interpretación de formas y resultados.
En este sentido, los procesos de visión
artificial por computadora han permitido que la
fotogrametría analítica tradicional
sea modificada para poder incrementar los niveles
de precisión y automatización. Esto
se lleva a cabo reemplazando la imagen analógica
por una imagen digital, para que las computadoras
puedan procesar y manipular los datos con menos
intervención humana de índole subjetiva.
En
la comunicación se presentan varios ejemplos
de utilización de las tecnologías
digitales sobre grabados y pinturas de monumentos
megalíticos, lo que ha permitido una evidente
mejora de las propias imágenes, como paso
previo al análisis iconológico.
Bibliografía:
-Calviño,
F, Casas, A., Gómez, L. y A. Rodríguez
Casal, 1955. "Un sistema de fotogrametría
digital en coordenadas homogéneas. Aplicación
al arte rupestre". Congreso sobre Computación.
Santiago de Compostela.
-Calviño,
F., Gómez, L. Y A. Rodríguez Casal,
1955. "Fotogrametría y procesado digital
de imégenes aplicado al Arte rupestre".
I Symposio sobre Manifestaciones rupestres del
Archipiélago Canario-Norte de África.
1.
Pesquisa inserida no Projecto A EVOLUCÃO
DAS PRIMEIRAS SOCIEDADES CAMPONESAS E AS GEOMETRIAS
DO TERRITÓRIO EM REGUENGOS DE MONSARAZ
(6000-2000 AC), PROJECTO JNICT (PCSH/C/HAR/1001/95).
Os autores agradecem a SAFRA S.A., uma subsidiária
de José Maria da Fonseca Suc, e ao IPPAR
o apoio que permitiu a realização
de este estudo.